O que é e por que acontece a corrida de touros em Pamplona

A chamada corrida de touros de Pamplona faz parte das festas de San Fermín (ou Sanfermines), um conjunto de celebrações que acontecem todos os anos na cidade de Pamplona, no norte da Espanha. Para muita gente de fora, San Fermín é apenas isso, pessoas correndo pelas ruas estreitas com touros soltos atrás. A corrida, no entanto, é só uma parte de uma festa maior, com vários dias de duração, origem religiosa e uma organização própria que envolve a cidade inteira.

Pode parecer apenas um espetáculo extremo ou uma atração turística, mas San Fermín tem regras, rituais e significados próprios, que ajudam a entender por que essa festa existe e como ela se tornou tão conhecida. Neste artigo, vamos explicar o que são as festas de San Fermín, como surgiu a corrida de touros e qual o papel desse evento dentro da cultura local.

Vista aérea do encierro de San Fermín, com touros correndo pelas ruas de Pamplona entre participantes vestidos de branco e vermelho.

Como a festa é organizada ao longo da semana

As festas acontecem sempre entre os dias 6 e 14 de julho. Durante essa semana, Pamplona muda completamente de ritmo e passa a viver em função da programação oficial, que se repete todos os dias.

O Chupinazo

Confira os principais momentos da semana

Chupinazo - Dia 6 de julho, ao meio-dia em ponto

Um foguete é disparado da prefeitura para marcar o início da festa. É neste momento que a multidão amarra o lenço vermelho no pescoço e a festa começa oficialmente.

A corrida de touros - De 7 a 14 de julho, 08h

SIM! AS OITO HORAS DA MANHÃ! É o momento em que soltam os touros nas ruas do centro e a multidão corre junto com os animais até a Plaza de Toros. Apesar de ser a imagem mais conhecida da festa, a corrida dura poucos minutos e serve para levar os touros até a arena, onde permanecem guardados para a tourada que acontece à tarde.

Festas de rua - O dia todo

Depois da corrida, a programação continua sem pausas, com desfiles de bonecos gigantes, bandas de música e refeições coletivas que mantêm as ruas cheias do início da manhã até a madrugada.

Touradas - De 7 a 14 de julho, 18h30

Os mesmos seis touros que correram pelas ruas de manhã enfrentam os toureiros na arena tradicional no final da tarde.

O encerramento Pobre de Mí - meia-noite do dia 14 de julho

A cerimônia de encerramento acontece na Praça da Prefeitura. A multidão se reúne com velas para cantar a música de despedida e retirar o lenço vermelho.


Para conferir a programação detalhada com todos os horários de shows e eventos, consulte a página oficial das festas de San Fermín.

Por que os touros correm pelas ruas de Pamplona?

A corrida de touros não surgiu como espetáculo nem como atração turística, mas sim por um motivo prático e histórico. Durante séculos, os touros eram levados das fazendas até a praça da cidade a pé, passando pelas ruas, porque não existiam meios modernos de transporte.

No começo, esse percurso era feito de madrugada apenas para levar os animais até a Plaza de Toros. Com o passar do tempo, os jovens começaram a correr à frente dos touros, às vezes para ajudar a conduzir a manada, outras simplesmente pelo gosto de enfrentar o perigo. O que nasceu como uma necessidade prática acabou virando o coração da festa, e a prefeitura passou, pouco a pouco, a criar regras para organizar a corrida.

Hoje, os touros correm pelas ruas porque essa tradição foi mantida como parte da identidade da festa. O percurso é fechado, vigiado e segue regras rígidas, e o objetivo continua sendo o mesmo de origem, levar os animais até a Plaza de Toros.

O percurso: 875 metros de tensão

O trajeto é sempre o mesmo e atravessa o centro histórico de Pamplona. A corrida começa nos currais da Cuesta de Santo Domingo e termina dentro da Plaza de Toros. São cerca de 875 metros percorridos, em média, em menos de três minutos.

O caminho é cercado por barreiras de madeira duplas para proteger os espectadores, transformando as ruas num corredor sem saída lateral para quem corre.

Os pontos mais críticos são:

  • Cuesta de Santo Domingo: A subida inicial e íngreme. É aqui que os touros saem dos currais com força total e onde a corrida é mais rápida.
  • A curva da Estafeta: O ponto mais perigoso da parte técnica. É uma curva fechada de 90 graus onde os touros frequentemente perdem a aderência, escorregam e chocam contra a barreira de madeira.
  • Rua Estafeta: Uma reta longa e estreita onde não há refúgios laterais. Se o touro se aproxima, o corredor só tem duas opções: manter o ritmo ou atirar-se para o chão.

O uniforme: Por que branco e vermelho?

Não é uma regra oficial, mas é um código seguido por quase 100% das pessoas. Quem não usa, destaca-se como turista desavisado.

  • O Branco (A roupa): A origem está na Peña La Veleta, fundada em 1931 por um grupo de trabalhadores. Para se diferenciarem das outras associações, escolheram o branco por ser uma opção econômica e fácil de encontrar no comércio local.
  • Vermelho (O lenço): O significado é religioso. O lenço representa o martírio de São Fermín, que morreu degolado.

IMPORTANTE: A regra do lenço

O lenço vermelho só deve ser colocado no pescoço após o Chupinazo (o foguete de abertura) dia 6, às 12h. Antes desse horário, o correto é guardá-lo no bolso ou no pulso.

Normas para correr com os touros

Apesar de parecer caótico à primeira vista, a corrida segue regras claras de segurança, e todos os corredores devem respeitar as indicações da Polícia Municipal e dos pastores ao longo do percurso. Quem não cumpre as regras pode ser retirado do percurso e receber multa.


Está TERMINANTEMENTE proibido

Correr com bolsas, mochilas ou objetos que atrapalhem a corrida

Correr de chinelos, descalço ou com calçado inadequado

Participar sob efeito de álcool ou drogas

Permanecer no percurso sem intenção de correr

Tocar nos animais

Chamar a atenção dos touros ou provocá-los por trás

Tirar fotos ou gravar vídeos durante a corrida


Dicas práticas para viver San Fermín

San Fermín atrai centenas de milhares de pessoas todos os anos, e Pamplona fica completamente lotada durante a festa. Planejar com antecedência faz toda a diferença para aproveitar melhor a experiência.

A primeira dica é reservar hospedagem o quanto antes. O ideal é garantir hotel ou apartamento com pelo menos 6 a 9 meses de antecedência, especialmente se a ideia for ficar no centro. Quanto mais perto de julho, menos opções existem e mais altos ficam os preços.

Uma alternativa comum é se hospedar em cidades próximas e ir até Pamplona de transporte público. É uma opção mais econômica, mas implica abrir mão de parte da experiência noturna, já que a festa acontece o dia inteiro e atravessa a madrugada.

Para quem prefere assistir à corrida dos touros com mais tranquilidade, existe a opção de alugar varandas privadas ao longo do percurso, sobretudo na Calle Estafeta. Na prática, o aluguel costuma ser feito por janela, não pela casa inteira, e é comum que um mesmo apartamento tenha grupos diferentes assistindo da mesma sala, cada um em uma janela. A gente não tem um fornecedor específico para indicar, mas esses acessos costumam ser reservados com vários meses de antecedência e os preços geralmente ficam na faixa de centenas de euros por pessoa.

Também vale lembrar que não é preciso correr com os touros para viver San Fermín. A festa ocupa as ruas o dia inteiro, com música, desfiles, bares cheios e um clima constante que vai muito além dos poucos minutos da corrida.


Bar La Estafeta com mesas na calçada da Calle Estafeta, em Pamplona, com pessoas sentadas e prédios históricos ao fundo.

Já tem a roupa e já sabe fugir do touro?


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