O que ver em Granadilla, o povoado abandonado de Cáceres

Vista aérea de Granadilla mostrando casas con tejados de arcilla, una fachada azul, ruinas y el embalse al fondo.

Granadilla é um povoado abandonado na província de Cáceres que é considerado um dos mais bonitos da Espanha! Foi abandonado nos anos 60 para dar lugar a uma represa que, no fim, nunca chegou a inundá-lo. As casas ficaram vazias, as ruas ficaram desertas e o lugar ficou exatamente como estava, com as muralhas, o castelo e a história intacta.

Fomos visitar numa tarde de maio, num dia de semana, e não tinha quase ninguém. Neste artigo contamos nossa experiência e recomendações, com muitas fotos para você preparar sua visita!

Por que Granadilla foi abandonada

Granadilla é um povoado fundado no século IX, quando os mouros construíram ali um posto de defesa para controlar a passagem da Via de la Plata. Durante séculos foi uma vila ativa, com habitantes, comércio e vida cotidiana. O nome original era Granada e só mudou para Granadilla em 1492, quando os Reis Católicos conquistaram a cidade andaluza e era preciso evitar confusões.

Em 1955, o governo da Espanha decretou a expropriação do município para a construção da represa de Gabriel y Galán. Os habitantes foram obrigados a sair com a justificativa de que a área seria inundada. Em 1964, o último morador deixou o povoado.

Agora vem a grande ironia. A represa nunca inundou Granadilla! A vila fica num morro acima do nível máximo da água. O que ficou submerso foram as terras agrícolas ao redor, a principal fonte de sustento dos moradores. A verdade é que... Sem os campos, não tinha sustento.

Em 1980, Granadilla foi declarada Conjunto Histórico-Artístico e desde 1984 faz parte de um programa de recuperação que traz estudantes de toda a Espanha para viver e trabalhar na vila.

O castelo de Granadilla

Torre de piedra del castillo de Granadilla con ventanas enrejadas, enmarcada por un gran árbol bajo un cielo azul.

O castelo é a primeira coisa que você vê ao entrar pelo portal da muralha. Foi construído no século XV pelo primeiro duque de Alba e tem uma planta incomum, com uma torre central e quatro torres semicirculares, uma em cada face. Isso lhe dá uma forma que não se parece com nenhum outro castelo da região.

A entrada é gratuita e vale subir até o topo. A subida passa por diferentes andares e dá aquela vibe de exploração, como se você fosse descobrindo o lugar aos poucos. Fomos num dia de semana e não tinha quase ninguém, o que deixava tudo ainda mais Indiana Jones. Lá de cima dá para ver o vale inteiro, a represa de Gabriel y Galán ao fundo e a vila toda vista de cima.

As muralhas de Granadilla

Dá para caminhar boa parte das muralhas e ver a cidade inteira. Algumas partes estão restauradas, outras estão em ruínas (tipo um mar de pedras soltas). Chamou muito a nossa atenção que, entre as ruínas, na parte mais abandonada, tem cavalos, plantações de uva e outros animais. Ninguém mora em Granadilla, mas o espaço segue sendo usado, como parte de um programa educativo.

A gente foi em maio com um sol absurdo e não tem nenhuma sombra na muralha. Se você for em época de calor, vá preparado: chapéu, protetor solar e água, no mínimo. Vale saber também que uma vez que você começa a caminhar pelas muralhas, não tem muitas saídas pelo caminho. O jeito é seguir em frente ou voltar tudo pelo mesmo lugar.

Granadilla tinha duas entradas históricas, como era comum nas vilas medievais. A Puerta de la Villa, ao norte, era a entrada principal e é por onde todo mundo entra hoje. A Puerta de Coria, ao sul, era a entrada secundária e está fechada para visitantes.

Caminhando sobre as muralhas de Granadilla

O que mais ver em Granadilla

Letras de madeira no gramado formando a palavra Granadilla em frente a um edifício com fachada amarela e varanda.

A Plaza Mayor é o centro do povoado e onde ficam os edifícios mais restaurados, como a prefeitura. O mais legal é explorar as casas restauradas e as ruínas no seu ritmo, então vá sem pressa!

Muitas ruas estão fechadas por obras ou por risco de desabamento, então o espaço que dá para explorar é menor do que parece. As casas restauradas são usadas pelos estudantes e professores do programa educativo.

A Igreja da Assunção fica um pouco mais afastada, construída no século XVI em estilo gótico tardio e renascentista. Quando fomos, as ruas que levam até ela estavam fechadas por obras e não conseguimos chegar. Se você quiser entrar, a igreja abre ao público duas vezes por ano, no dia 15 de agosto e no dia 1 de novembro.

O programa de recuperação que mantém Granadilla viva

Desde 1984, Granadilla faz parte do Programa Interministerial de Recuperação e Utilização Educativa de Pueblos Abandonados, o PRUEPA. O objetivo é trazer estudantes que vivem em cidades para aprender ofícios e modos de vida que estão desaparecendo, como alvenaria, carpintaria, cerâmica, agricultura e criação de animais. Toda semana chegam grupos de toda a Espanha e eles dormem na vila, em casas adaptadas como alojamento para alunos e professores.

É por isso que certas ruas aparecem fechadas e o acesso a algumas partes é restrito. Sem esse programa, Granadilla provavelmente ainda seria só ruínas.

Logo Pruepa

Informações práticas

Como chegar

Só é possível chegar de carro, não tem transporte público. Pela Autovia de la Plata (E-803), tome a saída 442 em direção a Zarza de Granadilla e siga as indicações até a vila. O estacionamento fica na entrada e é gratuito.

Horários

  • Segunda-feira: fechado
  • Abril a outubro: 10h às 13h30 e 16h às 20h
  • Novembro a março: 10h às 13h30 e 16h às 18h
  • Entrada gratuita

E aí? Vale a pena?

Para a gente, o melhor de Granadilla foi andar sem destino. Entrar por uma rua, encontrar uma parede caindo, dobrar numa esquina e topar com um cavalo entre as ruínas. Tem algo de exploração nisso, quase de descoberta arqueológica, de caminhar por um lugar que ficou parado no tempo sem avisar ninguém.

Fomos num dia de semana e não tinha quase ninguém. Isso faz toda a diferença. Sem grupos, só as ruas vazias e a sensação de estar descobrindo o lugar pela primeira vez. Se puder, evite fins de semana e feriados.

Granadilla não vai te impressionar com museus ou atrações organizadas. O que ela tem é outra coisa: ruínas que você pode tocar, história por onde você pode caminhar, e um silêncio que faz você imaginar como era quando havia gente vivendo ali. Vale muito a visita.

Perguntas frequentes

Quanto tempo leva a visita a Granadilla?

Entre uma hora e meia e duas horas é suficiente para percorrer o castelo, as muralhas e as ruas com calma.

É preciso reservar para visitar Granadilla?

Não é necessário reservar para visitas individuais ou em família. Apenas grupos organizados de mais de 50 pessoas precisam reservar com antecedência.

Dá para visitar Granadilla com cachorros?

Sim, mas devem ir sempre com coleira. Há animais de fazenda dentro da vila e zonas em restauração.

Onde comer perto de Granadilla?

Dentro de Granadilla não há restaurantes nem bares. O povoado mais próximo com opções para comer é Zarza de Granadilla.

Qual é a melhor época para visitar Granadilla?

Primavera e outono são as épocas mais agradáveis. No verão faz muito calor e as muralhas não têm sombra.

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