Os melhores destinos vinícolas da Espanha

A Espanha é um dos maiores produtores de vinho do mundo e tem regiões vinícolas bem diferentes entre si, cada uma com paisagens, uvas e estilos próprios, formados ao longo de séculos de história. O enoturismo aqui costuma ser mais tranquilo e voltado ao público local, diferente de países como França e Itália, onde a oferta é muito pensada para o visitante internacional. Na prática, isso significa ter contato direto com bodegas familiares, muitas delas com tradições antigas. A relação entre qualidade e preço também é um dos pontos fortes dos vinhos espanhóis.

O que são as denominações de origem?

As denominações de origem, ou DO, são um sistema que protege vinhos ligados a um lugar e a um modo de fazer. Cada denominação tem um regulamento próprio, que define a área de produção, as uvas permitidas, o rendimento dos vinhedos, a elaboração e o tempo de envelhecimento exigido para categorias como Crianza, Reserva e Gran Reserva. Um conselho regulador fiscaliza o cumprimento dessas regras.

No Brasil existe uma lógica parecida nas indicações geográficas, como a cachaça de Salinas (MG), que só pode levar esse nome quando é produzida na região e segue os critérios definidos.

Na prática, o rótulo com DO indica que o vinho segue as regras de uma região específica. A Espanha tem dezenas de denominações e cada uma produz estilos diferentes. Neste artigo, escolhemos as que mais gostamos e contamos o que cada uma tem de especial.

Mapa das Denominações de Origem de vinhos na Espanha, com regiões destacadas em cores diferentes e legenda explicativa.

Mapa: Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação (Governo da Espanha)

Rioja

Rioja é a denominação de origem mais conhecida da Espanha e fica no norte do país. Foi a primeira a receber a categoria DOCa (Denominación de Origen Calificada), um nível acima da DO. A região é famosa pelos vinhos tintos feitos principalmente com a uva Tempranillo e pelo uso de barris de carvalho, que dão ao vinho mais complexidade.

O que esperar dos vinhos de Rioja?

Os tintos de Rioja têm a Tempranillo como base, com notas de frutas vermelhas e pretas, couro e tabaco e o estilo muda conforme o envelhecimento. Os jovens e os Crianza são frescos e frutados, com cereja e ameixa e, às vezes, um toque de baunilha vindo do barril de carvalho. Os Reserva e Gran Reserva passam mais tempo no barril e na garrafa, por isso têm mais densidade, taninos mais firmes e notas de especiarias, couro e tabaco. A região também produz brancos e rosés, mas o mais conhecido é o tinto.

O que fazer?

Principais cidades para se hospedar

  • Logroño: capital de La Rioja e uma boa base para explorar a região. A Calle Laurel é cheia de bares de tapas, ideal para quem quer combinar vinho com gastronomia local.
  • Haro: considerada o coração vinícola de Rioja, reúne várias bodegas renomadas e recebe a Batalha do Vinho todo dia 29 de junho.
  • Elciego: vila tranquila, famosa pela Marqués de Riscal e pelo hotel da bodega.
  • La Guardia: vila medieval murada lindíssima, com bares e vinícolas familiares para degustar vinhos.

Toro

Situada na província de Zamora, Toro é uma Denominação de Origem reconhecida pela identidade forte dos seus vinhos tintos, produzidos principalmente com a uva Tinta de Toro.

O que esperar dos vinhos de Toro?

Os tintos de Toro são feitos com a Tinta de Toro, nome local da Tempranillo. São vinhos fortes, de cor escura e com taninos marcados, com sabor de frutas escuras e especiarias. A região também faz alguns brancos, mas o tinto é o que domina.

O que fazer?

Principais cidades para se hospedar

  • Toro: principal cidade da região, com diversas opções de visitas a vinícolas.
  • Zamora: cidade perto, com arquitetura românica e fácil acesso às vinícolas de Toro.
  • Valladolid: fica um pouco mais longe, mas serve de base para quem quer combinar Toro com outras regiões vinícolas próximas, como Rueda e Ribera del Duero.

Ribera del Duero

Ribera del Duero fica em Castilla y León, nas margens do rio Duero, e a denominação se estende pelas províncias de Burgos, Valladolid, Segovia e Soria. Os invernos são frios e os verões, quentes e secos, e muitos vinhedos ficam em altitude. A uva principal é a Tempranillo, e quase todos os vinhos da região são tintos.

O que esperar dos vinhos Ribera?

Os tintos são encorpados e estruturados, de cor escura, com sabor de frutas escuras, especiarias e cacau, e os que envelhecem em barril de carvalho ganham também notas tostadas. Na região, a Tempranillo se chama Tinto Fino ou Tinta del País. Os rótulos indicam o envelhecimento, como jovem, Crianza, Reserva e Gran Reserva, e o Crianza passa pelo menos 12 meses em barril de carvalho.

O que fazer?

Principais cidades para se hospedar

  • Peñafiel: considerada o berço da Ribera del Duero, tem um castelo que abriga o Museu Provincial do Vinho e bodegas subterrâneas na encosta.
  • Aranda de Duero: tem uma rede de bodegas medievais subterrâneas, e várias podem ser visitadas.
  • Burgos: cidade maior, com história e acesso às vinícolas da região.

Penedès

O Penedès fica na Catalunha, no nordeste da Espanha, entre as províncias de Barcelona e Tarragona. Os vinhedos se distribuem entre o mar Mediterrâneo e as áreas montanhosas do interior. É a maior denominação de origem catalã e a região de origem do cava, o espumante espanhol.

O que esperar dos vinhos de Penedès (Cava)?

O Penedès é conhecido pelo cava, o espumante espanhol feito pelo método tradicional, com as uvas Macabeo (também chamada de Viura), Xarel·lo e Parellada. O cava tem denominação própria, a DO Cava, definida pelo modo de produção e não por uma região, mas a maior parte dele sai do Penedès. A região também faz vinhos brancos e tintos sem borbulhas.

O que fazer?

  • Vinícolas imperdíveis: Codorníu, Freixenet, Torres, Gramona e Raventós i Blanc.
  • Gastronomia: esqueixada (uma salada fria de bacalhau salgado com tomate, cebola e azeitona), e calçots (cebolas tenras grelhadas e servidas com molho romesco). Os calçots são de inverno e começo da primavera.
  • Melhor época: abril e maio, com os vinhedos verdes, e setembro, durante a colheita.

Principais cidades para se hospedar

  • Sant Sadurní d'Anoia: capital do cava, a menos de 50 km de Barcelona. É a sede de grandes produtores, como Codorníu e Freixenet.
  • Vilafranca del Penedès: capital do Alt Penedès, com o Vinseum, museu das culturas do vinho da Catalunha, instalado no antigo palácio real, e um centro histórico medieval.
  • Sitges: vila litorânea com praias, que também faz parte da Ruta del Vino do Penedès.

Quer mais informações? Dá uma olhada no nosso artigo dedicado à região do Penedès.


Rías Baixas

Rías Baixas fica no litoral da província de Pontevedra, no sudoeste da Galícia, e vai até a fronteira com Portugal. O nome vem das rías, braços de mar que entram no continente e marcam a paisagem. O clima é atlântico, suave e úmido, com muita chuva, e o solo é de granito. A região produz sobretudo vinhos brancos, e a Albariño é a uva principal.

O que esperar dos vinhos de Rías Baixas?

Os vinhos são brancos de Albariño, frescos, com aroma de flores e ervas, acidez marcante e um toque salino, e combinam bem com os frutos do mar da região.

O que fazer?

Principais cidades para se hospedar

  • Cambados: conhecida como a capital do Albariño, tem um centro histórico de pazos de granito, o Museu do Vinho e várias bodegas abertas a visitas.
  • Sanxenxo: cidade litorânea com várias praias de Bandeira Azul, para combinar praia e bodegas.
  • Vigo: cidade maior, com mais infraestrutura, e uma boa base para explorar as Rías Baixas e outras regiões da Galícia.

Ribeira Sacra

A Ribeira Sacra fica no interior da Galícia, no noroeste da Espanha, a menos de duas horas dos aeroportos de Santiago de Compostela e Vigo. As vinhas ficam em terraços nas encostas íngremes dos cânions dos rios Sil e Miño, e o trabalho é quase todo manual. O nome significa “margem sagrada” e vem dos muitos mosteiros e igrejas da região.

O que esperar dos vinhos da Ribeira Sacra?

O destaque são os tintos, feitos principalmente com a uva Mencía, que são leves, frescos e fáceis de beber, com sabor de frutas vermelhas e um toque de pimenta, e costumam ser comparados ao Pinot Noir. Os brancos, feitos sobretudo com a uva Godello, são secos e frescos, com um sabor mais cítrico.

O que fazer?

  • Vinícolas imperdíveis: Regina Viarum, Adega Algueira, Ponte da Boga e Vía Romana.
  • Atividades: passeio de catamarã pelos cânions do rio Sil, com vista para as vinhas nos terraços. Os passeios saem de ponto de embarque como Santo Estevo e Doade. Entre os mosteiros medievais da região, o de Santo Estevo de Ribas de Sil hoje abriga um parador.
  • Melhor época: de abril a outubro, boa época para passeios ao ar livre.

Principais cidades para se hospedar

  • Monforte de Lemos: considerada a capital da Ribeira Sacra, tem mais serviços e hotéis do que as vilas da região e ligação de trem.
  • Ourense: cidade com termas e centro histórico, de onde se chega ao cânion do Sil de carro.
  • Chantada: vila pequena e tranquila, na província de Lugo, que dá nome a uma das cinco sub-regiões da denominação.

...E muito mais

Além disso, a Espanha conta com diversas outras regiões vinícolas que valem a pena explorar, como:

Ribeiro: fica no sudeste da Galícia, perto de Ourense, e produz sobretudo vinhos brancos, feitos principalmente com a uva Treixadura. Os brancos são aromáticos e combinam bem com frutos do mar.

Somontano: fica em Aragão, no nordeste da Espanha, ao pé dos Pirineus, e o nome significa “ao pé da montanha”. É uma região moderna, que faz tintos e brancos com uvas locais e internacionais, como Tempranillo e Chardonnay.

Jerez: fica na Andaluzia e é a terra do Sherry, um vinho fortificado com aguardente. Existem vários estilos, do seco ao doce. O Fino, por exemplo, é seco e se toma gelado com tapas, e o Pedro Ximénez é doce e bem mais denso.

Montsant: fica no sul da Catalunha e produz sobretudo tintos, feitos principalmente com as uvas Garnacha e Cariñena, com bastante sabor de fruta.

La Mancha: fica no centro da Espanha, ao sul de Madrid, e tem mais de 150 mil hectares de vinhedos, uma das maiores áreas do mundo. A uva branca mais plantada é a Airén, e a tinta é a Tempranillo, chamada ali de Cencibel.

Priorat: fica no sul da Catalunha e produz tintos encorpados e de teor alcoólico alto, com sabor intenso de frutas escuras e especiarias.


A Espanha é a terceira maior produtora de vinho do mundo e tem a maior área de vinhedos do planeta, mas não ocupa o mesmo espaço comercial que as regiões mais conhecidas da França e da Itália. Uma das razões é que mais da metade do vinho que exporta sai a granel, sem estar engarrafado. Outra é que algumas denominações vendem a maior parte da produção dentro do país, como Ribera del Duero, com 82%, e Somontano, com 75%.

Para quem visita, isso significa bodegas pensadas mais para o público local do que para o turista estrangeiro. Muitas delas pequenas e familiares e não estão nem pensadas para receber visitas de nenhuma maneira. O enoturismo é mais simples e mais próximo dos produtores. Nos preços, os vinhos espanhóis são considerados uma compra de bom custo-benefício em comparação com vinhos envelhecidos de outros países.

Na hora de escolher, tudo depende do que você quer provar. Rioja e Ribera del Duero são o caminho para quem quer tintos envelhecidos e muitas bodegas, o Penedès é a região do cava e fica perto de Barcelona, Rías Baixas é a opção para vinho branco com frutos do mar e a Ribeira Sacra, para vinho com paisagem de cânions.

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