
La Alberca fica na Sierra de Francia, no sul da província de Salamanca, perto do limite com a Extremadura. Foi o primeiro vilarejo da Espanha a receber o título de Conjunto Histórico-Artístico, em 1940, e isso ajudou a preservar até hoje sua arquitetura serrana. As casas de pedra e vigas de madeira aparente, nas ruas estreitas do centro histórico, parecem tiradas de um conto de fadas.
Chegamos lá numa véspera de feriado, com o vilarejo cheio de gente e os bares lotados, e deu pra sentir por que o lugar atrai tanta gente. Neste guia, reunimos nossa experiência com dicas de onde comer, o que ver e os vilarejos vizinhos que valem a visita
O que ver em La Alberca
Chegamos a La Alberca na véspera de um feriado e encontramos o povoado cheio de gente, com os bares lotados e um ambiente animado nas ruas. Mesmo assim, deu para aproveitar bem a caminhada pelo centro histórico.
Plaza Mayor
O centro do vilarejo, cercado por casas com varandas de madeira e arcadas sustentadas por colunas de granito. No meio da praça fica um crucero de pedra do século XVIII. É o melhor lugar para sentar em um dos bares e observar o movimento.
Igreja de Nuestra Señora de la Asunción
Construída no século XVIII, fica bem ao lado da Plaza Mayor. Por fora é simples, sem muitos enfeites. Na fachada há um pequeno nicho com duas caveiras esculpidas. Ele está ligado à tradição da Moza de Ánimas, quando uma mulher saía ao entardecer tocando um sino e rezando pelas almas do purgatório. Por dentro, chama atenção o altar decorado e um órgão antigo que ainda funciona com um fole.
Marrano de San Antón
Do lado da igreja fica a estátua de um porco, símbolo de uma das tradições mais conhecidas do vilarejo (detalhamos a tradição mais abaixo).

Onde fica e como chegar
La Alberca fica na Sierra de Francia, no sul da província de Salamanca, perto do limite com a Extremadura.
De carro
É a forma mais prática de chegar, já que o transporte público é limitado. Fomos de carro num passeio pela Sierra de Francia, e a estrada até o povoado já vale a viagem, com curvas em meio à serra e paisagens verdes o caminho todo.
Saindo de Madri
Cerca de 3 horas e meia, aproximadamente 250 km, pela A-6 com desvio em Béjar.
Saindo de Salamanca
Cerca de 1 hora e 20 minutos, aproximadamente 80 km, pela SA-201.
Onde estacionar
As ruas do centro histórico são estreitas e não permitem estacionar. O melhor é deixar o carro num dos estacionamentos na entrada do vilarejo e seguir a pé até o centro.
De ônibus
Existe uma linha da Autocares Cosme que liga Salamanca a La Alberca, mas com poucos horários por dia e variação entre dias úteis, sábado e domingo. Vale conferir o horário atualizado antes de ir, já que pode mudar.
| Trajeto | Seg a sex | Sábado | Domingo |
|---|---|---|---|
| Salamanca a La Alberca | 13:30 e 18:00 | 14:00 | 10:00 |
| La Alberca a Salamanca | 7:30 e 15:20 | 8:45 | 18:20 |
Essa mesma linha segue para outros povoados da Sierra de Francia.
Horários sujeitos a alteração. Confirme sempre na página oficial da linha antes de viajar.
Um pouco de história
O nome La Alberca vem do árabe "al bereka", que quer dizer algo como "lugar de águas", em referência aos riachos da região. Os primeiros vestígios de povoamento são pré-históricos, mas a região foi repovoada de forma mais organizada entre os séculos XII e XIII, por ordem do rei Afonso IX. Entre os novos moradores estavam colonos franceses, o que deu origem ao nome Sierra de Francia.
Em 1434, a imagem da Virgem da Peña de Francia foi encontrada nas montanhas próximas, e o santuário construído no local se tornou destino de peregrinação, inclusive de peregrinos do Caminho de Santiago. O episódio ficou tão conhecido que chegou a ser citado por Cervantes em Dom Quixote.
As ruas estreitas e labirínticas do centro histórico lembram uma judiaria. Comunidades judaicas viveram ali até serem expulsas no século XVI. Em 1940, o vilarejo se tornou o primeiro Conjunto Histórico-Artístico da Espanha, um título que ajudou a preservar sua arquitetura até hoje.
Marrano de San Antón
Todo dia 13 de junho, dia de Santo Antônio de Pádua, os moradores soltam pelas ruas um porco depois de abençoá-lo e colocar um sino no pescoço. Ele vive solto até 17 de janeiro, dia de San Antón, alimentado e abrigado pelos próprios vizinhos ao longo dos meses.
A tradição vem dos tempos da Inquisição, quando judeus convertidos ao cristianismo criavam e sorteavam publicamente um porco para provar que comiam carne suína.
Hoje em dia, o porco é rifado entre os moradores, e o valor arrecadado vai para obras sociais ou ONGs da região. Junto à igreja, uma estátua de pedra representa a tradição para quem visita fora dessa época do ano.

Onde comer em La Alberca
Restaurante Ibéricos Doña Consuelo
Fomos nesse restaurante na Plaza Mayor. O que mais chamou nossa atenção é que ele é antes de tudo um açougue, só que com um restaurante no fundo. Fomos súper bem atendidos aí, como se fôssemos melhores amigos. Ao sentarmos, a casa trouxe de cortesia uma tábua com três tipos de chorizo. Pedimos vinho e uma presa ibérica, que trouxeram do açougue até a mesa para mostrar o corte antes de preparar. A comida estava muito gostosa, mas tenho que admitir que é um pouco caro.



Outras opções
A gente ficou pouco tempo lá e só tivemos a oportunidade de comer no Doña Consuelo, mas La Alberca é um destino bem turístico, assim que não faltam opções. Para mencionar alguns bem avaliados:
La Cantina de Elías

- Comida elaborada, com apresentação cuidada e pratos mais criativos.
- Preço médio de €20 a €40 por pessoa.
- Pratos mais pedidos: chuletón, croquetas, cheesecake e patatas revolconas.
- Ver localização
Restaurante El Encuentro

- Comida caseira tradicional.
- Preço médio de €20 a €30 por pessoa.
- Pratos mais pedidos: patatas revolconas, alubias, cochifrito e chuletón.
- Ver localização
Mesón La Colmena

- Comida tradicional, principalmente carnes na brasa.
- Preço médio de €20 a €30 por pessoa.
- Pratos mais pedidos: patatas revolconas, lagarto, entrecot e cochifrito.
- Ver localização
O que provar
Patatas meneás

Purê de batata com pimentão e alho, coberto com torresmos crocantes
Cabrito cuchifrito

Carne de cabrito jovem, frita ou assada, com a pele bem crocante por fora e macia por dentro
Jamón ibérico

Presunto curado de porco ibérico. A região é referência na produção desse embutido na Espanha.
Hornazo

Empanada (tipo uma torta) recheada com embutidos
Limón serrano

Salada de limão, laranja, ovo cozido e chorizo
Onde dormir em La Alberca
A gente não dormiu em La Alberca mas, como já comentamos, é um destino bastante turístico. Tem bastante variedade de oferta de hospedagem, com hostais simples a partir de €45 a noite, casas rurais entre €60 e €100, e hotéis com mais estrutura passando de €100.
Na região, em vilarejos como Mogarraz e San Martín del Castañar, os preços costumam ser um pouco mais baixos.
Reserve seu hotel
A Booking.com é nossa parceira. Você pode buscar e reservar hospedagem em La Alberca direto por aqui.
Ao reservar através deste link, você ajuda a manter o MiraEspanha sem custo nenhum extra para você.
Quando visitar La Alberca?
Por ficar na Sierra de Francia, a mais de 1.000 metros de altitude, La Alberca tem um clima mais fresco que boa parte da Espanha, mesmo no verão.
Primavera e verão são as épocas de maior movimento, com o vilarejo mais cheio de gente e comércio funcionando em horário ampliado.
No outono e inverno, as ruas ficam mais tranquilas, mas o frio pode ser intenso.
Fins de semana e feriados costumam lotar, como aconteceu na nossa visita, então vale considerar ir em dias de semana para aproveitar com mais calma.
Festas populares
Ao longo do ano, o vilarejo mantém tradições antigas que valem a pena considerar no planejamento da viagem, seja para participar ou para evitar as datas de maior movimento.
La Moza de Ánimas
Todos os dias.
Ao entardecer, uma moradora percorre as ruas tocando um sino e rezando pelas almas do purgatório
Cabalgata de Reyes Magos
5 de janeiro
Encenação viva do presépio, terminando com a chegada dos Reis Magos distribuindo presentes às crianças
Marrano de San Antón
13 de junho e 17 de janeiro
Soltura e sorteio do porco, tradição mais conhecida do vilarejo
Las Águedas
Sábado mais próximo a 5 de fevereiro
O prefeito entrega o bastão de comando a uma mulher eleita "abadessa" por um dia, com danças tradicionais na praça
Carnavales Patahenos
Fevereiro ou março
Figura carnavalesca burlesca, um homem coberto de feno e palha, em uma paródia popular de tourada
Semana Santa
Março ou abril
Procissões com moradores vestidos nos trajes tradicionais da região
La Pasión
Quinta-feira Santa
Encenação da Paixão de Cristo pelos próprios moradores no adro da igreja
Día del Pendón
Segunda-feira de Páscoa
Celebra a vitória das mulheres albercanas sobre tropas portuguesas no século XV, com o estandarte levado em procissão até a Ermita de San Blas
Día del Trago
Segunda-feira seguinte à Páscoa
A prefeitura serve vinho a todos que comparecem à Plaza Mayor
Romería de Majadas Viejas
Segunda-feira de Pentecostes
Romaria até uma capelinha no bosque, com danças e uma pequena representação teatral
Santísimo Cristo del Sudor
Data variável, sempre em um domingo de maio
Festa da irmandade masculina em homenagem à talha de Cristo atribuída a Juan de Juni, que, segundo a tradição, suou sangue em 1655
Corpus Christi
Maio ou junho
Os moradores espalham tomilho pelo chão, decoram varandas e janelas do trajeto da procissão com colchas e panos bordados à mão, enchendo as ruas de cores e odores.
Diagosto
14 a 18 de agosto, ápice no dia 15
A festa principal, em homenagem à Virgen de la Asunción, com o Traje de Vistas e oferendas florais
La Loa
16 de agosto
Um dos autos sacramentais medievais mais antigos da Espanha, encenando a vitória do Bem contra o Mal
Magosto
Novembro
No fim do outono, os moradores se reúnem ao redor da fogueira para assar castanhas colhidas na época, ao som de gaita e tamboril
Trilhas e passeios na natureza
Não fizemos nenhuma trilha na nossa visita, mas a região tem boas opções para quem quiser se aventurar pela Sierra de Francia.
Camino de las Raíces
Rota circular de cerca de 9 km, dificuldade fácil, saindo da Igreja de Nuestra Señora de la Asunción. Faz parte de um projeto que integra obras de arte à paisagem natural ao longo do caminho.
Camino del Agua
Rota circular de cerca de 6 km, dificuldade fácil, com trechos por bosques de carvalhos e travessias de rio. Também faz parte do projeto que integra obras de arte à paisagem natural da região.
Bosque de los Espejos
Rota circular de cerca de 10 km, dificuldade fácil, passando por Sequeros, Las Casas del Conde e San Martín del Castañar. Leva cerca de 3 horas de caminhada, sem contar paradas.
Subida à Peña de Francia
Trilha de cerca de 10 km, só de subida, saindo de La Alberca pelo GR-10, até o Santuário de Nuestra Señora de la Peña de Francia, no ponto mais alto da serra, com vista para boa parte da região.
Pueblos próximos que valem a pena conhecer
Além dos vilarejos da Sierra de Francia, a região ao redor de La Alberca tem outros destinos que valem a parada.

Mogarraz
A cerca de 10 minutos de La Alberca, Mogarraz chama atenção pelos mais de 800 retratos pintados nas fachadas das casas, homenagem aos antigos moradores feita pelo artista Florencio Maíllo.
O povoado foi declarado Conjunto Histórico-Artístico em 1998, e caminhar pela Plaza Mayor e pelas ruas estreitas é como visitar uma galeria de arte a céu aberto.
Hervás
Já em outra província, Cáceres, encontramos Hervás bastante animado e cheio de vida nas ruas. O ponto alto é o bairro judeu, um dos mais bem preservados da Espanha, com casas de adobe e madeira e ruas estreitas em ladeira. Escondido em uma das vielas, achamos um jardim particular de cactos, mantido por um morador do vilarejo e aberto para quem quiser visitar.


San Martín del Castañar
Famoso pelos vasos de plantas espalhados pelas ruas, decorados com frases e expressões típicas da região. Também tem um castelo do século XV, hoje transformado em centro de interpretação da Reserva da Biosfera.
Miranda del Castañar
Vilarejo murado, um dos mais famosos da região. Conserva mais de 600 metros de muralha medieval, com quatro portas de acesso original, além de um castelo do século XIV.










