O que fazer em La Alberca na Sierra de Francia

Casas típicas de pedra e entramado de madeira na Plaza Mayor de La Alberca, Salamanca, com pessoas sentadas em um bar ao ar livre

La Alberca fica na Sierra de Francia, no sul da província de Salamanca, perto do limite com a Extremadura. Foi o primeiro vilarejo da Espanha a receber o título de Conjunto Histórico-Artístico, em 1940, e isso ajudou a preservar até hoje sua arquitetura serrana. As casas de pedra e vigas de madeira aparente, nas ruas estreitas do centro histórico, parecem tiradas de um conto de fadas.

Chegamos lá numa véspera de feriado, com o vilarejo cheio de gente e os bares lotados, e deu pra sentir por que o lugar atrai tanta gente. Neste guia, reunimos nossa experiência com dicas de onde comer, o que ver e os vilarejos vizinhos que valem a visita

O que ver em La Alberca

Chegamos a La Alberca na véspera de um feriado e encontramos o povoado cheio de gente, com os bares lotados e um ambiente animado nas ruas. Mesmo assim, deu para aproveitar bem a caminhada pelo centro histórico.

Plaza Mayor

O centro do vilarejo, cercado por casas com varandas de madeira e arcadas sustentadas por colunas de granito. No meio da praça fica um crucero de pedra do século XVIII. É o melhor lugar para sentar em um dos bares e observar o movimento.

Plaza Mayor de La Alberca

Arquitetura serrana pelas ruas

As casas de pedra com as vigas de madeira aparente são o maior atrativo do povoado. Muitas têm a data de construção esculpida acima da porta, e os andares superiores avançam sobre os inferiores, fazendo os telhados de casas opostas quase se tocarem.

Detalhe das ruas de La Alberca

Igreja de Nuestra Señora de la Asunción

Construída no século XVIII, fica bem ao lado da Plaza Mayor. Por fora é simples, sem muitos enfeites. Na fachada há um pequeno nicho com duas caveiras esculpidas. Ele está ligado à tradição da Moza de Ánimas, quando uma mulher saía ao entardecer tocando um sino e rezando pelas almas do purgatório. Por dentro, chama atenção o altar decorado e um órgão antigo que ainda funciona com um fole.

Interior da igreja

Marrano de San Antón

Do lado da igreja fica a estátua de um porco, símbolo de uma das tradições mais conhecidas do vilarejo (detalhamos a tradição mais abaixo).

Estátua do Marrano, porco, ao lado da igreja

Casa Museo Satur Juanela

Uma antiga casa de família transformada em museu, mostrando como era a vida numa casa tradicional albercana. A visita custa €2,50 por pessoa.

Casa Museo Satur Juanela

Onde fica e como chegar

La Alberca fica na Sierra de Francia, no sul da província de Salamanca, perto do limite com a Extremadura.

De carro

É a forma mais prática de chegar, já que o transporte público é limitado. Fomos de carro num passeio pela Sierra de Francia, e a estrada até o povoado já vale a viagem, com curvas em meio à serra e paisagens verdes o caminho todo.

Saindo de Madri

Cerca de 3 horas e meia, aproximadamente 250 km, pela A-6 com desvio em Béjar.

Saindo de Salamanca

Cerca de 1 hora e 20 minutos, aproximadamente 80 km, pela SA-201.

Onde estacionar

As ruas do centro histórico são estreitas e não permitem estacionar. O melhor é deixar o carro num dos estacionamentos na entrada do vilarejo e seguir a pé até o centro.

De ônibus

Existe uma linha da Autocares Cosme que liga Salamanca a La Alberca, mas com poucos horários por dia e variação entre dias úteis, sábado e domingo. Vale conferir o horário atualizado antes de ir, já que pode mudar.

TrajetoSeg a sexSábadoDomingo
Salamanca a La Alberca13:30 e 18:0014:0010:00
La Alberca a Salamanca7:30 e 15:208:4518:20

Essa mesma linha segue para outros povoados da Sierra de Francia.
Horários sujeitos a alteração. Confirme sempre na página oficial da linha antes de viajar.

Um pouco de história

O nome La Alberca vem do árabe "al bereka", que quer dizer algo como "lugar de águas", em referência aos riachos da região. Os primeiros vestígios de povoamento são pré-históricos, mas a região foi repovoada de forma mais organizada entre os séculos XII e XIII, por ordem do rei Afonso IX. Entre os novos moradores estavam colonos franceses, o que deu origem ao nome Sierra de Francia.

Em 1434, a imagem da Virgem da Peña de Francia foi encontrada nas montanhas próximas, e o santuário construído no local se tornou destino de peregrinação, inclusive de peregrinos do Caminho de Santiago. O episódio ficou tão conhecido que chegou a ser citado por Cervantes em Dom Quixote.

As ruas estreitas e labirínticas do centro histórico lembram uma judiaria. Comunidades judaicas viveram ali até serem expulsas no século XVI. Em 1940, o vilarejo se tornou o primeiro Conjunto Histórico-Artístico da Espanha, um título que ajudou a preservar sua arquitetura até hoje.

Marrano de San Antón

Todo dia 13 de junho, dia de Santo Antônio de Pádua, os moradores soltam pelas ruas um porco depois de abençoá-lo e colocar um sino no pescoço. Ele vive solto até 17 de janeiro, dia de San Antón, alimentado e abrigado pelos próprios vizinhos ao longo dos meses.

A tradição vem dos tempos da Inquisição, quando judeus convertidos ao cristianismo criavam e sorteavam publicamente um porco para provar que comiam carne suína.

Hoje em dia, o porco é rifado entre os moradores, e o valor arrecadado vai para obras sociais ou ONGs da região. Junto à igreja, uma estátua de pedra representa a tradição para quem visita fora dessa época do ano.

Padre abençoando o porco
Foto: La Alberca

Onde comer em La Alberca

Restaurante Ibéricos Doña Consuelo

Fomos nesse restaurante na Plaza Mayor. O que mais chamou nossa atenção é que ele é antes de tudo um açougue, só que com um restaurante no fundo. Fomos súper bem atendidos aí, como se fôssemos melhores amigos. Ao sentarmos, a casa trouxe de cortesia uma tábua com três tipos de chorizo. Pedimos vinho e uma presa ibérica, que trouxeram do açougue até a mesa para mostrar o corte antes de preparar. A comida estava muito gostosa, mas tenho que admitir que é um pouco caro.

Outras opções

A gente ficou pouco tempo lá e só tivemos a oportunidade de comer no Doña Consuelo, mas La Alberca é um destino bem turístico, assim que não faltam opções. Para mencionar alguns bem avaliados:

La Cantina de Elías

Fachada de La Cantina de Elías
  • Comida elaborada, com apresentação cuidada e pratos mais criativos.
  • Preço médio de €20 a €40 por pessoa.
  • Pratos mais pedidos: chuletón, croquetas, cheesecake e patatas revolconas.
  • Ver localização

Restaurante El Encuentro

Fachada restarante o encuentro
  • Comida caseira tradicional.
  • Preço médio de €20 a €30 por pessoa.
  • Pratos mais pedidos: patatas revolconas, alubias, cochifrito e chuletón.
  • Ver localização

Mesón La Colmena

Interior do Mesón la Colmena
  • Comida tradicional, principalmente carnes na brasa.
  • Preço médio de €20 a €30 por pessoa.
  • Pratos mais pedidos: patatas revolconas, lagarto, entrecot e cochifrito.
  • Ver localização

O que provar

Patatas meneás

Patatas Meneas

Purê de batata com pimentão e alho, coberto com torresmos crocantes

Cabrito cuchifrito

Cabrito cuchifrito

Carne de cabrito jovem, frita ou assada, com a pele bem crocante por fora e macia por dentro

Jamón ibérico

Jamón Serrano

Presunto curado de porco ibérico. A região é referência na produção desse embutido na Espanha.

Hornazo

Hornazo

Empanada (tipo uma torta) recheada com embutidos

Limón serrano

Limón Serrano

Salada de limão, laranja, ovo cozido e chorizo

Onde dormir em La Alberca

A gente não dormiu em La Alberca mas, como já comentamos, é um destino bastante turístico. Tem bastante variedade de oferta de hospedagem, com hostais simples a partir de €45 a noite, casas rurais entre €60 e €100, e hotéis com mais estrutura passando de €100.

Na região, em vilarejos como Mogarraz e San Martín del Castañar, os preços costumam ser um pouco mais baixos.

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Quando visitar La Alberca?

Por ficar na Sierra de Francia, a mais de 1.000 metros de altitude, La Alberca tem um clima mais fresco que boa parte da Espanha, mesmo no verão.

Primavera e verão são as épocas de maior movimento, com o vilarejo mais cheio de gente e comércio funcionando em horário ampliado.

No outono e inverno, as ruas ficam mais tranquilas, mas o frio pode ser intenso.

Fins de semana e feriados costumam lotar, como aconteceu na nossa visita, então vale considerar ir em dias de semana para aproveitar com mais calma.

Festas populares

Ao longo do ano, o vilarejo mantém tradições antigas que valem a pena considerar no planejamento da viagem, seja para participar ou para evitar as datas de maior movimento.

La Moza de Ánimas

Todos os dias.

Ao entardecer, uma moradora percorre as ruas tocando um sino e rezando pelas almas do purgatório

Cabalgata de Reyes Magos

5 de janeiro

Encenação viva do presépio, terminando com a chegada dos Reis Magos distribuindo presentes às crianças

Marrano de San Antón

13 de junho e 17 de janeiro

Soltura e sorteio do porco, tradição mais conhecida do vilarejo

Las Águedas

Sábado mais próximo a 5 de fevereiro

O prefeito entrega o bastão de comando a uma mulher eleita "abadessa" por um dia, com danças tradicionais na praça

Carnavales Patahenos

Fevereiro ou março

Figura carnavalesca burlesca, um homem coberto de feno e palha, em uma paródia popular de tourada

Semana Santa

Março ou abril

Procissões com moradores vestidos nos trajes tradicionais da região

La Pasión

Quinta-feira Santa

Encenação da Paixão de Cristo pelos próprios moradores no adro da igreja

Día del Pendón

Segunda-feira de Páscoa

Celebra a vitória das mulheres albercanas sobre tropas portuguesas no século XV, com o estandarte levado em procissão até a Ermita de San Blas

Día del Trago

Segunda-feira seguinte à Páscoa

A prefeitura serve vinho a todos que comparecem à Plaza Mayor

Romería de Majadas Viejas

Segunda-feira de Pentecostes

Romaria até uma capelinha no bosque, com danças e uma pequena representação teatral

Santísimo Cristo del Sudor

Data variável, sempre em um domingo de maio

Festa da irmandade masculina em homenagem à talha de Cristo atribuída a Juan de Juni, que, segundo a tradição, suou sangue em 1655

Corpus Christi

Maio ou junho

Os moradores espalham tomilho pelo chão, decoram varandas e janelas do trajeto da procissão com colchas e panos bordados à mão, enchendo as ruas de cores e odores.

Diagosto

14 a 18 de agosto, ápice no dia 15

A festa principal, em homenagem à Virgen de la Asunción, com o Traje de Vistas e oferendas florais

La Loa

16 de agosto

Um dos autos sacramentais medievais mais antigos da Espanha, encenando a vitória do Bem contra o Mal

Magosto

Novembro

No fim do outono, os moradores se reúnem ao redor da fogueira para assar castanhas colhidas na época, ao som de gaita e tamboril

Trilhas e passeios na natureza

Não fizemos nenhuma trilha na nossa visita, mas a região tem boas opções para quem quiser se aventurar pela Sierra de Francia.

Camino de las Raíces

Rota circular de cerca de 9 km, dificuldade fácil, saindo da Igreja de Nuestra Señora de la Asunción. Faz parte de um projeto que integra obras de arte à paisagem natural ao longo do caminho.

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Camino del Agua

Rota circular de cerca de 6 km, dificuldade fácil, com trechos por bosques de carvalhos e travessias de rio. Também faz parte do projeto que integra obras de arte à paisagem natural da região.

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Camino de los Prodigios

Rota circular de cerca de 12 km, dificuldade moderada, ligando Miranda del Castañar e Villanueva del Conde. Tem desnível considerável, então exige um preparo físico maior que as outras trilhas da região.

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Bosque de los Espejos

Rota circular de cerca de 10 km, dificuldade fácil, passando por Sequeros, Las Casas del Conde e San Martín del Castañar. Leva cerca de 3 horas de caminhada, sem contar paradas.

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Subida à Peña de Francia

Trilha de cerca de 10 km, só de subida, saindo de La Alberca pelo GR-10, até o Santuário de Nuestra Señora de la Peña de Francia, no ponto mais alto da serra, com vista para boa parte da região.

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Ruta de Las Batuecas

Trilha de ida e volta de cerca de 10 km, dificuldade moderada, começando no Monasterio de las Batuecas. Segue o rio até a cachoeira Chorro de las Batuecas, com pinturas rupestres no caminho.

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Pueblos próximos que valem a pena conhecer

Além dos vilarejos da Sierra de Francia, a região ao redor de La Alberca tem outros destinos que valem a parada.

Retratos em fachada de entramado de madeira, parcialmente coberta por uma parreira, em Mogarraz

Mogarraz

A cerca de 10 minutos de La Alberca, Mogarraz chama atenção pelos mais de 800 retratos pintados nas fachadas das casas, homenagem aos antigos moradores feita pelo artista Florencio Maíllo.

O povoado foi declarado Conjunto Histórico-Artístico em 1998, e caminhar pela Plaza Mayor e pelas ruas estreitas é como visitar uma galeria de arte a céu aberto.

Escrevemos um artigo completo sobre Mogarraz, com onde comer, onde dormir e mais detalhes sobre a história dos retratos.


Hervás

Já em outra província, Cáceres, encontramos Hervás bastante animado e cheio de vida nas ruas. O ponto alto é o bairro judeu, um dos mais bem preservados da Espanha, com casas de adobe e madeira e ruas estreitas em ladeira. Escondido em uma das vielas, achamos um jardim particular de cactos, mantido por um morador do vilarejo e aberto para quem quiser visitar.

Vista de Hervás

San Martín del Castañar

San Martín del Castañar

Famoso pelos vasos de plantas espalhados pelas ruas, decorados com frases e expressões típicas da região. Também tem um castelo do século XV, hoje transformado em centro de interpretação da Reserva da Biosfera.


Miranda del Castañar

Vilarejo murado, um dos mais famosos da região. Conserva mais de 600 metros de muralha medieval, com quatro portas de acesso original, além de um castelo do século XIV.

Miranda del Castañar
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